Enquanto o Brasil discute no Congresso o fim da escala 6×1, vale lembrar de um detalhe que poucos sabem: os bancários têm, desde 1962, jornada de 6 horas por dia, 30 horas semanais, de segunda a sexta, sem trabalho no sábado. Um direito conquistado há mais de 60 anos e mantido até hoje — justamente pela força de uma categoria que negocia, se organiza e, ano após ano, conquista mais.
Regras e exceções
- Jornada padrão: 6 horas por dia / 30 horas por semana.
- Cargos de confiança: funcionários que exercem funções de direção, gerência, fiscalização ou equivalentes — e recebem gratificação de função não inferior a 1/3 do salário do cargo efetivo — podem ter a jornada estendida para 8 horas diárias (totalizando 40 horas semanais).
Na prática, boa parte dos bancários que eu conheço cumpre 8 horas por dia — eu mesma cumpria, quando estava no banco — justamente por estar em cargo de confiança. É uma exceção prevista em lei, não uma regra geral: só vale quando o cargo e a gratificação realmente se enquadram nos requisitos.
E 2026 não foi diferente. Depois de 13 rodadas de negociação — oito delas com propostas rejeitadas pelos próprios trabalhadores — e de uma paralisação nacional de 24 horas em 20 de agosto, aprovada por 90% das assembleias em todo o país (os bancos até tentaram suspendê-la na Justiça e perderam), o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban assinaram, em 9 de setembro, a nova Convenção Coletiva, válida até agosto de 2028.
O que ficou garantido na convenção 2026–2028
Reajuste pelo INPC acumulado mais 0,6% de aumento real — 1,2% de ganho real em dois anos —, aplicado a salários, ao piso da categoria, à PLR, ao vale-alimentação e ao vale-refeição. Além do bolso, o acordo trouxe ganhos de qualidade de vida: mais participação dos bancários na gestão dos riscos psicossociais da NR-1, ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual (agora cobrindo também denúncias contra clientes), limites ao monitoramento digital com direito a feedback humanizado, direito à desconexão fora do expediente, e reforço no amparo — com programa de requalificação e indenização adicional — a quem é desligado por fechamento de agência.
Somado à jornada de 1962, é um pacote de benefícios que poucas profissões no Brasil conseguem reunir: estabilidade de regras, ganho real recorrente e qualidade de vida como cláusula de convenção, não como favor.
O outro lado da moeda: a certificação virou obrigatória, não opcional
Esses ganhos vêm com uma cobrança maior de qualificação — e aqui está uma mudança importante que está pegando muita gente desprevenida. As certificações CPA-10, CPA-20 e CEA, que formaram gerações de profissionais do mercado financeiro, estão sendo descontinuadas pela ANBIMA a partir de janeiro de 2026. No lugar delas, chegam três novas certificações, e a ordem entre elas importa:
A CPA é o ponto de partida — dá a base sobre produtos de investimento e é exigida para quem atua em prospecção, atendimento e suporte a clientes. A partir dela, o profissional escolhe o caminho: o C-Pro R forma o perfil comercial, focado em entender o perfil do investidor e recomendar carteiras com responsabilidade sobre a adequação (suitability); o C-Pro I forma o perfil técnico, para quem vai estruturar e montar as carteiras recomendadas. As duas exigem a CPA antes.
Ou seja: não é mais possível simplesmente “fazer uma prova” e seguir carreira. Cada etapa precisa ser estratégica — decidida de acordo com onde você quer chegar dentro do mercado financeiro — e a certificação deixou de ser um diferencial para se tornar pré-requisito.
Por que isso é uma boa notícia para quem quer entrar ou continuar na área
Quem se antecipa e se qualifica certo, no momento certo, sai na frente: cresce mais rápido dentro do banco, é mais competitivo para vagas de assessoria e consultoria, e constrói uma carreira sobre a mesma base que sustenta os ganhos que a categoria vem conquistando há décadas.
Qual é o seu próximo passo?
Cada uma dessas certificações serve a um momento diferente de carreira. Veja onde você está:
CPA — a base. Se você atua (ou quer atuar) em prospecção, atendimento e suporte a clientes, é por aqui que começa.
C-Pro R — perfil comercial. Para quem já tem a CPA e quer avançar para entender o perfil do investidor e recomendar carteiras com responsabilidade sobre a adequação.
Quero informações sobre a C-Pro R
C-Pro I — perfil técnico. Para quem quer estruturar e montar as carteiras recomendadas, um passo além da relação direta com o cliente.
Quero informações sobre a C-Pro I
Solange Honorato, CFP®
